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Heitor Spagnol dos Santos, médico especialista do São Bernardo Apart Hospital, explica sobre a necessidade do atendimento para alívio

As diversas reinternações do locutor de rodeios Asa Branca no Instituto do Câncer, em São Paulo, trazem à tona a precariedade dos serviços de cuidados paliativos nos hospitais e clínicas pelo Brasil. A família de Asa Branca reclamou da inabilidade no atendimento a ele em um hospital público de São Paulo, no último dia 7, e, de acordo com a esposa do artista, Sandra dos Santos, sem a administração da medicação para dor – terapia de cuidados paliativos. Segundo dados da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), apenas 10% dos hospitais no Brasil contam com o serviço, resultando na ausência de protocolos para amenizar o sofrimento dos pacientes.

De acordo com o médico especialista em Cuidados Paliativos, Heitor Spagnol dos Santos, trata-se de uma especialidade médica indicada para todo paciente com uma doença potencialmente grave, ou seja, aquelas que ameaçadoras à continuidade da vida, como é o caso de Asa Branca, diagnosticado com câncer de boca e HIV. “É comum associar o cuidado paliativo apenas ao câncer, mas ele pode ser aplicado em pacientes com problemas cardíacos, renais, pulmonar, neurológicas e sequelas de AVC; em grau que deixe o paciente em sofrimento”, explica.

Heitor recomenda que os cuidados paliativos devem ser iniciados a partir do diagnóstico da doença. “É necessário entender que não se trata de uma sentença de morte, é um cuidado amplo, completo ao paciente em todas as fases da doença; que deve ser administrado desde o início da doença, cuidando de maneira proporcional. Em todos os seus aspectos, valorizar o paciente, reafirmar a esperança de ter uma vida com qualidade e, principalmente, com dignidade”, destaca.

A proporcionalidade do atendimento, de acordo com a New Health Foundation, garante também economia: uma redução de cerca de 30% a 50% dos custos hospitalares, haja vista que evita terapias e internações desnecessárias. O caso de Asa Branca ilustra bem a proporcionalidade do cuidado: diagnosticado com câncer metastático e HIV e com a saúde debilitada, os médicos optaram por trata-lo com morfina para controle das dores, haja vista que sessões de quimioterapia ou cirurgia não seriam recomendadas.

Vale destacar que os atendimentos são voltados para controle dos sintomas que estão provocando um desconforto ao paciente como a dor, falta de ar (dispneia), controle do humor. O médico explica que o principal foco do tratamento paliativo é o controle da dor, no entanto, os atendimentos são globais, incluindo atenção ao humor do paciente, visto que alguns tendem à depressão; já outros apresentam distúrbios de alimentação; entre outros. “Não tratamos apenas o quadro físico, a assistência é estendida para os aspectos social e espiritual do paciente”, reforça.

 

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