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Série da Netflix ‘MAID’ traz à tona o tema violência emocional e psicológica

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Psicóloga alerta para a importância da discussão do tema, visto que muitas pessoas vivem em uma relação abusiva e sequer entendem que isso é crime

 

Lançada este mês de outubro, a série Maid, da Netflix, traz à tona assuntos delicados, como maternidade, pobreza, relacionamento abusivo e violência doméstica. Mas o que chama atenção durante a narrativa é que a agressão sofrida pela protagonista Alex, interpretada por Margaret Qualley, não é física, mas sim psicológica e emocional. Ela nunca levou um tapa do companheiro Sean (Nick Robinson) e quase todos, até a mãe dela, se volta contra a jovem quando ela decide abandonar a casa e o marido com a filha pequena.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Sabrina Matias, a reação da personagem ao sair de casa após abusos psicológicos, levanta um alerta para as mulheres, pois a maioria que sofrem esse tipo de abuso não saem do relacionamento, pois quebrar esse ciclo de violência doméstica não é tão simples de acontecer, pois muitos não percebem que estão em um relacionamento abusivo por não terem sido vítimas de violência física.

“O que caracteriza uma relação abusiva é o excesso de poder que uma pessoa cria sobre a outra e, o que ocorre na maioria das vezes é que o abusado não se dá conta de que está sendo controlado. Com o passar do tempo, o abusador vai dominando cada vez mais a situação e o outro vai cedendo, recuando, perdendo a sua liberdade e, consequentemente, deixando o abusador mais forte.  A violência psicológica é marcada por xingamentos, humilhações, menosprezo, privações, fazendo com o que o abusado fique com a autoestima cada vez mais baixa. É como se ele fosse engolido pelo abusador, e não consegue terminar o relacionamento, principalmente se envolver dificuldades financeiras por parte da vítima”, explica.

Sabrina Matias é psicóloga e psicoterapeuta – foto crédito Victoria Decuzzi

O que muita gente não sabe é que atitudes que configuram violência psicológica são crime. Desde 28 de julho deste ano, a lei 14.188/2021 formalizou o tipo penal para a violência psicológica contra a mulher, com pena de 6 meses a 2 anos e pagamento de multa. Em casos mais graves, a condenação pode ser maior.

Sabrina explica que essa agressão é lenta, silenciosa e, muitas vezes, o abusado vive num ciclo vicioso de relações abusivas: “No primeiro momento há a tensão, a irritabilidade e a agressão emocional. Depois vem o arrependimento, a promessa do abusador de que irá mudar e a reconciliação em clima de lua de mel. “Este é o momento onde há uma manipulação muito grande por parte do abusador, pois tudo o que a pessoa abusada anseia e deseja é estar neste lugar de amor, de se sentir amada”, pontuou a psicóloga.

A psicóloga atenta para mais um ponto importante: o apoio da família para com a vítima. “Em muitos casos como esse, assim com aconteceu na série, familiares e amigos criticam a vítima por querer sair da relação sem ter sofrido nenhum abuso físico, dizem que ela está exagerando, que é normal o que o homem faz. E assim a vítima acaba se sentindo acuada em compartilhar com essas pessoas o que acontece de fato, com medo de ser ainda mais criticada, julgada. A verdade é que muita gente não entende o que é abuso psicológico, emocional, e que também é um crime. Por isso precisamos falar mais sobre esse assunto e alertar a sociedade para tal. Com entendimento, as pessoas vão poder apoiar mais quem sofre esse tipo de violência. A pessoa precisa se sentir segura e experimentar o amor a partir desta rede de apoio. E buscar suporte profissional com psicólogos também ajuda a identificar os abusos, ressignificar a dor e a forma de enxergar os relacionamentos amorosos”, finaliza.

foto principal reprodução instagram Netflix brasil

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Danielle Ewald

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