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Casa bonita, mas desconfortável: erros de projeto que pesam na rotina

06/10/2026 • Por Criar Comunicação Integrada • Leitura de 3 min
06/10/2026

Uma sala em que é preciso desviar da mesa para chegar ao sofá. Uma cozinha bonita, mas com pouca bancada para preparar as refeições. Um quarto com iluminação intensa justamente onde deveria favorecer o descanso. Alguns problemas de uma casa só aparecem quando ela começa a ser usada — e mostram que um ambiente visualmente atraente nem sempre é confortável.

A arquiteta e designer de interiores Priscila Maciel explica que isso costuma acontecer quando as decisões são tomadas a partir de referências estéticas, sem considerar os hábitos de quem vai ocupar o imóvel. A planta pode estar bem resolvida no papel e a decoração funcionar nas fotografias, mas o cotidiano expõe rapidamente o que foi ignorado durante o projeto.

“Uma casa não é uma vitrine. Ela precisa funcionar numa manhã corrida, receber as compras do supermercado, acomodar os objetos que fazem parte da rotina e continuar confortável no fim de um dia cansativo. Quando o projeto considera apenas a imagem final, o morador passa a se adaptar ao espaço, quando deveria acontecer justamente o contrário”, afirma.

Entre os erros mais frequentes está a escolha de móveis sem observar a proporção do ambiente. Uma peça pode caber na medida exata e, ainda assim, prejudicar a circulação. Sofás muito profundos, mesas maiores do que a dinâmica da família exige e cadeiras que não podem ser afastadas com conforto são exemplos de decisões que comprometem o uso sem necessariamente chamar atenção em uma imagem.

A iluminação é outro ponto que costuma ser percebido tarde demais. Um único ponto de luz no teto pode deixar sombras sobre bancadas, enquanto lâmpadas muito brancas tornam quartos e salas pouco acolhedores. Priscila destaca que cada atividade exige uma resposta diferente.

“Não existe uma iluminação boa para a casa inteira. A luz necessária para cortar um alimento não é a mesma que ajuda o corpo a desacelerar antes de dormir. O projeto precisa criar camadas: uma iluminação funcional para as tarefas, outra mais confortável para os momentos de descanso e pontos específicos para valorizar o que realmente importa no ambiente”, explica.

Também entram nessa lista a falta de tomadas nos locais de uso, a escolha de revestimentos difíceis de limpar, a ausência de espaços para guardar objetos cotidianos e a reprodução de tendências que não combinam com o estilo de vida dos moradores. Materiais delicados podem se tornar uma fonte permanente de preocupação em casas com crianças ou animais, por exemplo. Já uma cozinha aberta pode ser interessante para quem gosta de receber, mas pouco prática para quem prefere manter odores e ruídos afastados da área social.

Para Priscila, um projeto bem-sucedido não é aquele que elimina todos os objetos da vista, e sim o que prevê onde cada parte da vida real pode acontecer. Isso inclui desde o lugar para deixar bolsas e chaves ao chegar até o apoio para carregar o celular próximo à cama. São escolhas discretas, mas que determinam se o espaço vai facilitar ou dificultar a rotina.

“Conforto não é apenas ter um sofá macio. É conseguir circular sem obstáculos, alcançar o que se usa todos os dias, limpar a casa sem sofrimento e acender a luz certa para cada momento. O bom projeto aparece justamente quando a pessoa usa o ambiente sem precisar pensar sobre ele”, observa.

Estreante na CASACOR Espírito Santo 2026, Priscila defende que estética e funcionalidade não precisam disputar espaço. Para ela, a beleza ganha força quando nasce de soluções coerentes com a arquitetura e com a história de quem mora ali.

“Um ambiente pode ser sofisticado, ter personalidade e causar impacto sem abrir mão da vida cotidiana. A beleza que permanece não é a que segue todas as tendências, mas a que faz sentido para aquele morador e continua funcionando depois que a novidade passa”, conclui.

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