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Circuito, Saúde

Saúde ocular em primeiro lugar

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Encerramos o segundo ano de pandemia com o capixaba retomando a maioria das suas atividades. O trabalho, a escola, o lazer, as viagens, todas essas funções já registram elevado crescimento presencial no Espírito Santo, mesmo com a ameaça de uma nova variante do novo coronavírus, a ômicron, se espalhando no Estado.

Também na área de saúde, a procura por atendimento cresce, especialmente nos casos em que há manifestação evidente de algum sintoma. Mas ela ainda está aquém do necessário nos consultórios médicos. Na oftalmologia, especialidade onde atuo, muitos pacientes ainda não retornaram, nem mesmo para darem prosseguimento a tratamentos em andamento.

E o que é muito sério: uma parte dos capixabas parece ter abandonado o importante hábito da visita periódica ao médico, quando são feitos exames que permitem monitorar os olhos e prevenir uma série de doenças que podem ser silenciosas, sendo diagnosticadas somente por meio de exames. O não retorno é especialmente preocupante porque algumas doenças oculares podem levar à cegueira se não tratadas a tempo.

Tenho exemplos em meu consultório de pacientes com glaucoma diagnosticado, que faziam tratamento no passado, e que desde o início da pandemia, nunca mais voltaram. E isso é perigosíssimo!

É importante que o paciente faça o acompanhamento de maneira correta porque se a doença evoluir, o médico consegue identificar o problema e agir rapidamente. Mas se ele ignora ou desconhece a existência do problema, não mede a pressão ocular, não faz os exames complementares, para ver se o glaucoma está sob controle, corre o risco de passar por uma evolução silenciosa cujo risco maior é a cegueira.

Também correm risco de perder a visão os pacientes com retinopatia diabética que não estão se cuidando. O controle ocular de quem tem esta enfermidade se dá através de exames complementares como medidas da visão, de fundo de olho, acompanhamento de alterações relacionados ao diabetes. Por isso, é importante a visita ao oftalmologista para saber se são necessários exames complementares mais sofisticados ou injeções vítreas que diminuam o edema macular causado pela diabetes, entre outros.

O check-up oftalmológico também é necessário para pessoas com degeneração macular relacionada à idade. Pacientes com esse problema e que ficam sem o tratamento desenvolvem uma membrana neo vascular subretiniana e baixa visão. Se não tratarem em tempo hábil, também correm o risco de ficarem cegos.

Já os pacientes com a síndrome do olho seco podem desenvolver ceratite, ou seja, feridas na córnea que, se não tratadas, podem aumentar e formar úlceras de córnea, além de apresentarem desconforto e dor ocular ou de origem neuropática.

Até um simples grau de óculos não corrigido pode se transformar num problema. O paciente que está sem óculos ou com eles defasados, pode ter sintoma de cansaço visual e dores de cabeça.
Por fim, é importante destacar também a pandemia como fator agravante das doenças oculares. Nestes dois últimos anos ficamos mais tempo em frente às telas dos computadores, dos tablets, dos celulares, no trabalho, no estudo e no lazer, e isto aumentou a síndrome do olho seco, em especial nas crianças, público até então improvável para este tipo de enfermidade.

No caso das crianças e adolescentes, que ficaram em casa com aulas online, no ambiente interno, se sair ao ar livre, sem tomar um pouco de sol, além da síndrome do olho seco, há ainda aumento nos casos de miopia.

Em 2022, portanto, inclua as consultas periódicas em suas metas de ano novo. O check-up ocular é um importante aliado na prevenção uma série de doenças, algumas silenciosas e sem cura.

Liliana Nóbrega, oftalmologista

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Karina Santos

Assistente de Jornalismo - WelcomePlanet

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